Feminismo e o projeto Mulheres Históricas com Dara Medeiros

Hey, Habib! Vamos conhecer uma visão sobre o feminismo e o projeto mulheres históricas através da Dara Medeiros, uma mulher que vive o movimento feminista.

Feminismo e o projeto mulheres históricas com Dara Medeiros

Hey, Habib! Vamos conhecer uma visão sobre o feminismo e o projeto mulheres históricas através da Dara Medeiros, uma mulher que vive o movimento feminista de forma ativa. Fundou a página @mulheres.historicas com intuito de mostrar mulheres com forte representatividade na história e atualmente, com pouco mais de um ano da criação do projeto, conta com mais de 280 mil seguidores no instagram que acompanham a sua produção de conteúdo também voltada à militância feminista. Saiba como começou o projeto, bem como o posicionamento do feminismo quanto à temáticas de grande relevância para a sociedade na visão dessa mulher empoderada.

Início do projeto Mulheres Históricas

Comecei a página após estudar sobre feminismo e a história das figuras emblemáticas femininas. Ao perceber que não se falava sobre mulheres na história, criei a página com o intuito de falar das figuras femininas relevantes históricas. E, conforme fui estudando sobre feminismo, passei a militar sobre ele e suas pautas. Eu sou feminista radical, acredito na importância de libertarmos todas as mulheres, acredito na abolição das estruturas de opressão e na materialidade biológica feminina. Que não está na nossa essência permanecer perpetuando os papéis que o patriarcado nos impõe e associa a ser mulher. Isso é construção, socialização, podemos e devemos moldar,” relembra Dara.

Entenda a diferença entre Feminismo e Femismo

Na visão da Dara, “feminismo é um movimento político coletivo, que luta por meio dos movimentos sociais e teorias acadêmicas, buscando a emancipação e liberdade feminina. Femismo seria o contrário de machismo, mulheres oprimindo homens, de forma velada e institucional. Bom, isso não existe. Mulheres não oprimem homens em nenhuma sociedade do mundo. Muitos falam: já vi muitas mulheres xingando homens, e por isso elas são femistas, e isso está errado! Semanticamente, femismo é o contrário de machismo”.

Machismo não está nos xingamentos, machismo é uma opressão sistêmica (e os xingamentos machistas são consequência disso). E não existe opressão sistêmica das mulheres contra os homens. Fim. Vale salientar que femismo foi um termo criado para difamar as feministas, assim como o termo feminazi. Já em contrapartida, feminismo não é um conceito que é definido pelo ódio ou aversão aos homens. É apenas um movimento das mulheres que querem acabar com a exploração e se emancipar na sociedade, pois foram e ainda são privadas disso pelos homens”.

Matéria sobre violência contra a mulher e projeto @maselenuncamebateu. Leia clicando AQUI.

Feminismo e a homossexualidade

Para Dara, a relação das feministas com a homossexualidade é gigante. “Já deixo esclarecido que o termo homossexualismo não existe, porque ele era usado em contexto opressor para designar que se relacionar com outro homem ou outra mulher era doença, então remete a isso. Quando as feministas detectam e descrevem o patriarcado, elas informam que ele também é quem oprime nossa sexualidade. Homens gays são oprimidos sob uma lógica heteronormativa que quem impõe é o patriarcado. Se um homem não é hetero, ele será oprimido por isso, pois ele se nega a fazer parte do patriarcado enquanto homem que irá se relacionar com outra mulher e estar nessa posição de provedor e “homem de família”. Com mulheres é a mesma lógica, mas ainda pior: pois há o somatório da sexualidade com o fato delas serem mulheres”.

São mulheres lésbicas expressando que não está na essência na mulher se relacionar somente com o homem. Tanto que, não é incomum casais lésbicos serem incomodados em festas por homens: ah mas se vocês são namoradas se beijem para eu ver, ou topa um a 3?, tudo funciona com um raciocínio de como pode uma mulher recusar se relacionar sexualmente com um homem? ou quando acham que elas estão juntas para lhes servir sexualmente, não é atoa que pornografia com duas mulheres sempre foi feita para homens. Então, quando feministas descrevem o patriarcado, elas falam não apenas da opressão dele contra a mulher, mas também da opressão patriarcal contra as relações sexuais que fujam da heteronormatividade“.

Matéria sobre Empoderamento sexual feminino – clique AQUI.

Posicionamento feminista e o racismo por Dara Medeiros

Hey, Habib! Vamos conhecer uma visão sobre o feminismo e o projeto mulheres históricas através da Dara Medeiros, uma mulher que vive o movimento feminista.

A relação do feminismo com o racismo é total. Não tenho local de fala específico para dizer o que é sofrer racismo, pois sou branca. Mas é dever de todos apontar historicamente e atualmente as problemáticas racistas. No começo da primeira onda feminista, o racismo se fez presente das feministas brancas contra as mulheres/feministas negras. Basicamente: enquanto as feministas brancas iam protestar a favor dos seus direitos civis, não enquanto mulheres, mas enquanto mulheres brancas da elite, elas não se importavam de haver mulheres negras em seu lar, lavando suas calcinhas”.

Perante as feministas negras, que estavam trazendo como parte principal de suas reivindicações, o reconhecimento como indivíduo livre (contra a escravidão) e reconhecimento social como mulheres — algo que as feministas brancas já tinham conquistados socialmente, é bacana trazer a tona o discurso da Sojourner Truth numa conferência de feministas brancas — as feministas brancas não queriam se juntar com elas para não “manchar” o movimento. E assim se perdurou nas outras ondas feministas até o hoje“.

Hoje em dia as feministas brancas com um pensamento liberal, insistem negando na importância de haver uma vertente negra, “de que somos todas iguais”, etc. Mas não somos todas iguais. E não é referente a nossa visão pessoal de mundo, é referente a política e coletivismo. Na sociedade mulheres negras (pessoas negras, aí vem o racismo) são tratadas de forma diferente, desigual. Elas sofrem não apenas com o machismo, por ser mulher, mas também sofrem racismo, por ser negra. Então aí vem o machismo atrelado ao racismo. É óbvio que consideramos, nós de dentro dos movimentos sociais, uma pessoa diferente um igual”.

Mas o que estamos discutindo e reivindicando é politico. É como a sociedade enxerga e trata. Gritar que há desigualdades é o primeiro passo para mudar os contextos sociais desiguais. Local de fala não é sobre restritamente quem é protagonista. É sobre cada pessoa ter o seu local de fala em uma problemática. De onde você fala? Da pessoa que sofre? Da pessoa que faz parte do sistema de opressão? Não é porque que sou uma pessoa branca antirracista que automaticamente vou deixar de fazer parte da população que é privilegiada por ser branca”.

Então, é indispensável que nós, pessoas brancas façamos cada vez mais o debate sobre branquitude e sempre estar como escuta das mulheres negras, que foram extremamente silenciadas ao longo dos anos não apenas pelo Estado / Governo, mas também nos movimentos sociais aonde a maior parte eram pessoas brancas, que não abriam espaço de escuta para os negros. É incoerente enquanto feminista, ser contra o machismo e alimentar o racismo. O patriarcado se alimenta do racismo. Leiam Angela Davis, Audre Lorde, Bell Hooks, Joice Berth e Djamila Ribeiro (duas feministas, mulheres negras, que se voltam para o feminismo negro, atuais)”.

Reflexão sobre a real Sororidade

Sororidade é a empatia entre mulheres com consciência. Para mim, sororidade é sobre não depositarmos, jamais, preconceitos em cima de outras mulheres, as julgando. Mas é incrível como hoje em dia mulheres com narrativa liberal, que se denominam feministas, clamam por sororidade em outro sentido. Por exemplo, na página, quando posto sobre racismo e/ou feminismo negro, as mulheres brancas liberais aprecem: “para que feminismo negro, somos todas iguais, isso é divisão”; daí vou lá, explico de forma assertiva que estão equivocadas”.

Como resposta falam “Mas cadê a sororidade? Cadê o respeito a minha opinião?”, e vemos aí que é um termo deturpado na maioria das vezes. Pois elas quem deveriam ter sororidade, mas estão clamando por ela para se isentarem de correções e desconstrução. Portanto, é indispensável a reflexão de que para haver desconstrução, precisamos aprender, e para aprender corretamente, podemos ser corrigidas, e tudo bem. Talvez, se uma reflexão te incomoda tanto, não signifique que ela esteja errada, mas sim que ela está indo contra seus conceitos limitados existentes dentro de si”.

Matéria sobre mulheres em profissões machistas, clique AQUI.

Agora você conheceu a visão da Dara Medeiros, fundadora da página mulheres históricas sobre questões relacionadas ao feminismo. A Revista Oka não se posiciona como feminista mas julga importante disseminar causas diversas sobre temáticas que tem relevância com posicionamentos femininos. Se gostou do conteúdo da Dara, siga a página @mulheres.historicas clicando AQUI. Para mais conteúdos relacionados acompanhe diariamente a Revista Oka.

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