TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo com Michelle Delmiro

Hey, Habib! A Revista Oka não poderia deixar de falar sobre TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo e convidamos a psicóloga Michelle Delmiro.

TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo

Hey, Habib! A Revista Oka não poderia deixar de falar sobre TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo e convidamos uma profissional, a psicóloga Michelle Delmiro, uma mulher poderosa, que entende do assunto para nos presentear com seu conhecimento. Para quem nunca ouviu falar, TOC – transtorno obsessivo compulsivo, é um distúrbio psiquiátrico de ansiedade descrito no “Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais – DSM V” da Associação de Psiquiatria Americana. A principal característica do TOC é a presença de crises recorrentes de obsessões e compulsões. Para entender sobre TOC, vamos começar desvendando seus conceitos básicos e entendendo suas causas, sintomas, manifestações até o tratamento.

Michelle, conta um pouquinho, para quem ainda não lhe conhece, de onde você é, sua formação, especialidades e como você atua na área.

Me chamo Michelle Delmiro de Sousa Martins, sou psicóloga, com registro
profissional 11/12190, inscrita no CRP da 11ª região sediado em Fortaleza
– Ceará. Sou formada em Psicologia pela UNINASSAU, Pós-graduada
em Gestão de Pessoas e Psicologia Organizacional pela Faculdade de
Palmas e Pós-graduanda em Psicodrama Clínico e Socioeducativo pela
(UNI7 e Instituto de Psicodrama e Máscaras). Hoje, sou uma das coordenadoras do Átomo Ações em Psicologia e atuo na clínica com
atendimentos individuais e grupais com adolescentes, adultos e idosos. Também realizo palestras e treinamentos para empresas”
.

@michelledelmiro_psicologa

Como você poderia descrever o TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo e o que o caracteriza?

“Bem, segundo o DSM V, o TOC (transtorno Obsessivo Compulsivo) é caracterizado pela presença de Obsessões que são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que são vivenciados como intrusivos e indesejados. Já as compulsões são comportamentos repetitivos ou atos mentais que um indivíduo se sente compelido a executar em resposta a uma obsessão ou de acordo com regras que devem ser aplicadas rigidamente. Geralmente as pessoas que apresentam sintomas do TOC, relatam sofrimento e angústia por se sentirem obrigados a manter os rituais compulsivos. Isso ocasiona um prejuízo no tempo e na qualidade de vida do indivíduo e ele passa muito tempo naquele ritual, o que prejudica seu funcionamento social e a possibilidade de realizar suas atividades diárias“.

O que leva um indivíduo comum a ter TOC e quais são as principais causas?

“Ainda segundo o DSM V, as causas do TOC incluem fatores genéticos e fisiológicos, temperamentais e ambientais. Ou seja, tanto pode ser herdado como adquirido. Podendo ocorrer respectivamente: a transmissão familiar por fatores genéticos e alterações na anatomia cerebral, acentuada afetividade negativa e inibição comportamental na infância, bem como eventos estressores e traumáticos, como por exemplo, abuso sexual“.

Como se dá a manifestação do transtorno obsessivo compulsivo? Quais sintomas uma pessoa apresenta para identificação imediata do TOC?

É muito importante entender que o TOC é diferente de mania. Pode-se dizer que a maioria das pessoas têm ou desenvolverão alguma mania ao longo da vida. O que pode servir de alerta para a manifestação dos sintomas característicos do TOC, é exatamente a incidência dos sintomas, a repetição e a necessidade de manter o comportamento ritualístico, ainda que de forma indesejada e que ocasiona muito sofrimento no indivíduo. A pessoa sente como se não conseguisse controlar os sintomas compulsivos que estão estritamente relacionados ao desejo compensatório dos sintomas obsessivos“.

Qual especialidade é capaz de diagnosticar, com clareza, um indivíduo com TOC e como funciona o seu tratamento?

O diagnóstico é dado pelo médico. Os pacientes em sua maioria, chegam no consultório do psicólogo encaminhados pelo clínico geral e também ocorre (raramente) de o paciente já vir encaminhado pelo psiquiatra. Ainda que o psicólogo seja o primeiro profissional a perceber os sintomas característicos (levantar as hipóteses), este deve encaminhar o paciente para o médico psiquiatra, pois apenas o médico é o profissional habilitado para validar o diagnóstico. Após validado o diagnóstico, o tratamento geralmente ocorre com medicação, prescrita pelo médico psiquiatra e também com acompanhamento psicológico, ou seja, psicoterapia. Sendo muito importante o paciente dar continuidade no tratamento, para a possível melhora do quadro clínico“.

TOC- Transtorno Obsessivo Compulsivo com Michelle Delmiro

Como identificar o TOC em crianças e adolescentes?

Crianças e adolescentes têm alguns rituais característicos de cada fase do desenvolvimento, como por exemplo, a criança ter preferência por um brinquedo, o adolescente demorar no banho. Estudos apontam que é importante estar atento aos comportamentos ritualísticos que não correspondem às determinadas fases do desenvolvimento. Além disso, os pais devem observar se os rituais realizados pelas crianças e adolescentes, causam sofrimento e prejuízo na rotina diária e nas relações sociais. Se for observado algum sofrimento ou prejuízo, é importante procurar ajuda médica e psicológica“.

Como ajudar uma pessoa com diagnóstico de transtorno obsessivo compulsivo?

Primeiro, é muito importante entender que algo que transcende a vontade da pessoa que tem esse diagnóstico. É preciso ter um pouco de paciência e conversar com a pessoa, orientando sempre a procurar ajuda médica e psicológica. Dar apoio, é fundamental! Se for o caso, acompanhá-lo nas consultas médicas. É preciso colocar-se no lugar do outro e entender que qualquer pessoa pode desenvolver o TOC. Seja empático“!

Quais são os tipos de TOC mais comuns?

O DSM V relata que, os conteúdos específicos do TOC são variáveis conforme as pessoas acometidas. Sendo mais comuns, os temas que abordam obsessão por contaminação e compulsões por limpeza (a pessoa mantém o ritual de limpeza); simetria (obsessões simétricas e compulsões por repetição, organização e contagem) onde busca-se organizar por tamanhos, cores ou ordem numérica; pensamentos proibidos ou tabus (p. ex., obsessões agressivas, sexuais ou religiosas e compulsões relacionadas); e danos (p. ex., medo de causar danos a si mesmo ou a outros e compulsões de verificação), exemplo, a pessoa volta para verificar se a porta está fechada e compulsão por acumulação, onde apresenta-se dificuldades de descartar coisas e objetos“.

Existem terapias alternativas às opções medicamentosas para se ter controle desse tipo de transtorno? Se sim, quais?

Como eu já mencionei anteriormente, o tratamento compreende o acompanhamento psiquiátrico (medicamentoso), juntamente com o acompanhamento psicológico (psicoterapia). Não quer dizer que outras terapias não possam ser integradas no tratamento, porém não se pode abandonar o acompanhamento médico e psicológico. Ioga e meditação podem ser terapias interessantes para ajudar o indivíduo no controle dos impulsos. Na própria psicoterapia, o psicólogo pode usar e indicar técnicas de relaxamento que podem auxiliar o paciente nos momentos de tensão que culminam na ocorrência dos comportamentos compulsivos”.

TOC- Transtorno Obsessivo Compulsivo com Michelle Delmiro

Qual a importância de se descobrir a origem do TOC para se ter um tratamento mais eficaz e como um indivíduo que suspeita sofrer de um transtorno obsessivo compulsivo deve proceder com relação à procura de ajuda especializada? Existe apoio no sistema público ou só no privado?

Eu não diria descobrir a causa, mas perceber os sintomas e aceitar que precisa de ajuda. Esse é o passo mais importante para o tratamento. O quanto antes a pessoa iniciar o tratamento, maiores serão as possibilidades de eficácia do mesmo. É importante dizer que a saúde é um dever do estado e direito de todo cidadão, como está explícito nas diretrizes do SUS. Portanto, há a possibilidade de tratamento para o TOC no contexto da saúde pública, e cabe ao paciente buscar a rede de unidade básica (posto de saúde) próxima a sua residência e iniciar o tratamento, a priori, nesse contexto, com o médico clínico geral que deverá fazer os devidos encaminhamentos ao psiquiatra e psicólogo“.

Apesar dessa possibilidade, não podemos deixar de mencionar as dificuldades existentes no contexto da saúde pública, infelizmente. Mas existem também, no caso de psicoterapia, as clínicas-escola das universidades e faculdades, onde é possível fazer o tratamento psicoterapêutico de forma gratuita. Já no âmbito privado, existem também possibilidades de tratamentos a custos bem interessantes, com projetos sociais e diversas possibilidades. Tanto no contexto da saúde pública como do privado, existem muitas possibilidades e vai de acordo com a realidade de cada indivíduo. O importante é buscar informações concretas e fazer o tratamento“.

Com a ajuda da psicóloga Michelle Delmiro, podemos perceber a importância de se perceber, diagnosticar e prosseguir para tratar o TOC – Transtorno obsessivo Compulsivo. Se você tem TOC ou conhece alguém que sofra desse transtorno, não deixe de procurar ou indicar ajuda especializada. O conhecimento e o acesso à informação são capazes de romper barreiras como o preconceito, o medo e a vergonha que, comumente, rondam as pessoas que sofrem de males como este. Aproveita para descobrir quem tem medo de terapia clicando AQUI. Mais uma mulher poderosa, doando seu conhecimento para nós e assumindo bem o seu papel. Gostou do conteúdo da Michelle? Siga ela aqui e fique de olho na Revista Oka para os próximos conteúdos, habib.

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